A Gazeta Guarapuava recebeu a juíza Patrícia Roque Carbonieri, do 2º Juizado Especial de Guarapuava e coordenadora do CEJUSC/SEMSU, e a Advogada Ângela Kokuzicki para uma entrevista sobre o Projeto Alcateia, iniciativa voltada ao acolhimento e fortalecimento de mulheres em situação de violência doméstica e vulnerabilidade.
Durante a conversa, as entrevistadas explicaram como surgiu a iniciativa, quem será atendido nesta primeira etapa e a importância da construção de uma rede de apoio para ajudar mulheres a romperem o ciclo de violência. Também destacaram a parceria com a Gazeta Guarapuava para a produção de um podcast destinado a ampliar o alcance das informações sobre o projeto.
Atendimento começa com encaminhamentos do CRAM
Segundo a juíza Patrícia Roque Carbonieri, o Projeto Alcateia nasceu da vontade de contribuir para a transformação da vida de pessoas que precisam de apoio, dentro das possibilidades de atuação das idealizadoras.
Nesta primeira fase, o público prioritário será formado por mulheres em situação de violência doméstica que possuem medidas protetivas. Os encaminhamentos serão realizados pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), que fará a referência das mulheres ao projeto.
A proposta, no entanto, pretende ampliar gradativamente o atendimento para outras mulheres em situação de vulnerabilidade.
A magistrada explicou que o início das atividades foi precedido pela articulação de uma rede de parceiros para oferecer suporte em diferentes áreas, conforme as necessidades identificadas em cada caso. Entre as frentes previstas estão saúde, educação, acesso a creches, capacitação profissional e acompanhamento psicológico.
“Precisávamos ter essa rede bem montada para recepcionar esta mulher, fazer o diagnóstico da situação dela e encaminhar para aquilo que ela precisa”, explicou Patrícia.
Capacitação profissional e novos parceiros
Durante a entrevista, a juíza também destacou a parceria com o Instituto Mundo Melhor, de Ponta Grossa, que se colocou à disposição para colaborar com a capacitação das mulheres atendidas.
A aproximação ocorreu após a apresentação do projeto em um encontro de Justiça Restaurativa no Tribunal de Justiça do Paraná. Conforme relatado pela magistrada, o instituto disponibilizou cursos de capacitação on-line com certificação, ampliando as possibilidades de qualificação e desenvolvimento profissional das participantes.
A iniciativa busca reunir diferentes instituições e profissionais para oferecer apoio que vá além do atendimento inicial, contribuindo para que as mulheres tenham acesso a oportunidades e condições para reconstruir suas vidas.
Por que o nome Alcateia?
A advogada Ângela Kokuzicki explicou que o nome do projeto representa a força coletiva e a importância de as mulheres não enfrentarem sozinhas as situações de violência.
A referência à alcateia, grupo de lobos, simboliza a união de mulheres que, juntas, podem encontrar apoio e fortalecer umas às outras para superar situações complexas.
“Para sair do ciclo de violência, você tem que ser uma grande loba, ter uma força enorme. Só que, sozinha, é muito difícil, quase impossível”, destacou Ângela.
A escolha do nome também tem relação com a identidade de Guarapuava, que tem o lobo-guará como símbolo. A proposta é reunir mulheres fortes e determinadas, oferecendo uma rede de acolhimento capaz de ajudá-las a reconhecer suas próprias forças e buscar novos caminhos.
Parceria com a Gazeta Guarapuava amplia o alcance do projeto
Outro destaque da entrevista foi a parceria entre o Projeto Alcateia e a Gazeta Guarapuava para a criação de um podcast dedicado à divulgação de informações sobre a iniciativa.
Para a doutora Ângela, a comunicação é uma ferramenta essencial para que o projeto chegue ao maior número possível de mulheres, inclusive àquelas que vivem em áreas rurais, locais de difícil acesso ou enfrentam dificuldades para buscar atendimento presencial.
Segundo ela, por meio da internet, das redes sociais e dos canais de contato, essas mulheres poderão conhecer o projeto, obter informações e buscar orientação sobre as possibilidades de apoio.
A divulgação também pretende alcançar novos parceiros, fortalecendo a rede de atendimento e ampliando a capacidade de atuação da iniciativa.
A parceria com a Gazeta Guarapuava busca, assim, aproximar o projeto da comunidade e tornar suas informações mais acessíveis, contribuindo para que mulheres em situação de vulnerabilidade conheçam os caminhos disponíveis para procurar ajuda.
O Projeto Alcateia nasce com a proposta de unir acolhimento, capacitação e trabalho em rede, reforçando a importância de que mulheres em situação de violência não enfrentem esse processo sozinhas.

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