Familiares de dois, dos três homens mortos durante uma operação da Polícia Militar na Estrada do Guabiroba, em Guarapuava, contestam a versão oficial de confronto armado divulgada pela corporação. O caso ocorreu na manhã do dia 31 de março e terminou com as mortes de Cleiton Marciano da Silva, Pedro Henrique Andrade Ferreira e Luiz Henrique Ribas.
O pai de Cleiton, Clair da Silva, afirma que estava nas proximidades no momento da ação e relata uma dinâmica diferente da apresentada pela polícia. Segundo ele, ao chegar ao local, encontrou um grande número de policiais armados e foi rapidamente abordado.
“Não deu tempo de nada. Me tiraram do carro, e me levaram para outra casa. Eu escutava eles gritando por ajuda e os tiros acontecendo”, afirmou. Ele alega que o o filhos e os outros envolvidos não tiveram chance de se render. “Eu pedi para não matarem, para prenderem. O serviço deles é prender, não matar”, disse.
Clair também questiona a existência de confronto, alegando que não havia armamento suficiente para uma troca de tiros com a polícia. “Falam em confronto, mas o que tinha aqui não dá confronto com fuzil. Isso foi um massacre”, declarou. Ele ainda nega a presença de drogas no local e afirma que os homens estavam trabalhando em uma construção.
A esposa de Cleiton, Luciane, também pede esclarecimentos sobre o caso. Ela contesta informações sobre o horário da ocorrência. “Disseram que foi por volta das seis da manhã, mas às nove horas ele ainda estava online. Quero que mostrem o que realmente aconteceu”, afirmou.
Já Maria Eduarda, esposa de Pedro Henrique Andrade Ferreira, questiona a versão de que houve troca de tiros. Segundo ela, o marido teria sido atingido dentro do carro. “Como que ele confrontou a polícia se morreu no primeiro tiro? Eu só quero justiça e entender o que aconteceu”, disse. Ela também relatou ter recebido uma mensagem do marido por volta das 9h, o que, segundo ela, entra em contradição com o horário inicialmente divulgado.
As famílias pedem transparência nas investigações e cobram a divulgação de provas que esclareçam a dinâmica da ocorrência. A Polícia Militar informou anteriormente que os suspeitos reagiram à abordagem e efetuaram disparos contra as equipes, o que resultou no confronto.
A reportagem entrou em contato com a corporação, mas no dia de hoje não havia oficial disponível para comentar o caso.
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