Um recém-nascido morreu após um parto domiciliar registrado na manhã deste domingo (6), na região da Pitanguinha, em Pitanga. A Polícia Militar foi acionada pelo SAMU para prestar apoio à ocorrência, após informações de que o pai da criança estaria alterado e impedindo o encaminhamento do bebê ao hospital.
Segundo o registro policial, ao chegarem ao endereço, os socorristas encontraram o recém-nascido sem roupas, sobre um pano, no banheiro da residência e ao lado de uma vela acesa. Foram realizadas manobras de reanimação, mas sem sucesso. A equipe constatou o óbito.
O bebê apresentava sinais como cianose, extremidades frias e o cordão umbilical rompido ou dilacerado. Diante da situação, foram acionadas a Polícia Judiciária, a Perícia Criminal e o Instituto Médico-Legal (IML).
Versões divergentes
Durante o atendimento, o pai relatou aos policiais que havia ajudado a esposa a ir até a cama depois de ouvi-la pedir ajuda no banheiro. Segundo ele, já havia suspeitado de uma possível gravidez devido ao volume abdominal, mas afirmou que a mulher negava estar grávida.
Ainda conforme o relato, ao perceber posteriormente que o volume da barriga havia diminuído, ele retornou ao banheiro e encontrou o bebê atrás do vaso sanitário, já sem vida. O homem afirmou que a companheira teria dito que confundiu o trabalho de parto com dores abdominais e que a criança teria caído já morta.
O pai também contou que acionou a própria mãe para ajudar. Entretanto, de acordo com a ocorrência, foram identificadas inconsistências nos horários apresentados por ele.
A avó paterna confirmou que havia questionado a nora durante meses sobre uma possível gravidez, mas relatou que ela negava a gestação e recusava atendimento médico.
Mãe apresentou outra versão
A mulher foi encaminhada ao hospital por uma conhecida. Conforme o registro policial, funcionários da unidade questionaram por que o recém-nascido não havia sido levado junto, ocasião em que a acompanhante teria feito declarações de recusa em relação ao transporte da criança.
No hospital, a mulher foi ouvida pelos policiais e apresentou uma versão diferente da relatada pelo companheiro. Ela alegou que vivia em situação de isolamento e restrição de liberdade impostas pelo homem e afirmou que teria pedido ajuda para ser levada ao hospital, mas que o pedido teria sido recusado.
A versão, no entanto, foi questionada pelos policiais diante da presença da mãe da mulher e da constatação de que ela utilizava um aplicativo de mensagens para se comunicar e solicitar transporte.
O registro policial também menciona informações repassadas pelo Conselho Tutelar, que apontou a existência de denúncias anteriores relacionadas a comportamento agressivo e suposta negligência envolvendo outros dois filhos menores.
Investigação
Diante das divergências entre os relatos e das circunstâncias da morte do recém-nascido, o delegado responsável determinou a apreensão dos celulares do casal.
Os dois foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis. A Perícia Criminal e o IML também foram acionados para os procedimentos relacionados à morte da criança.

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