Às margens do lago, um banco de madeira repousa em silêncio, diante das cerejeiras que ainda não floresceram por completo. Algumas pétalas se arriscam a nascer, outras ainda esperam. E é exatamente aí que mora a poesia do tempo.
A floração das cerejeiras exige um processo. Antes da beleza plena, vem o frio, a queda das folhas, o silêncio. Elas recuam, se recolhem, até que, enfim, florescem. Mas mesmo quando chegam, não ficam por muito tempo — é uma beleza delicada, efêmera, quase sussurrada. E na vida, não é diferente.
Poucos enxergam as cerejeiras quando estão “feias”, nuas, ou naquele estágio em que ainda não são nem flor, nem folha. A maioria só se encanta com o espetáculo final. Assim acontece conosco: muitos só reconhecem nossos resultados — sem conhecer o caminho percorrido até ali. E, às vezes, foi um caminho de dor, espera e superação.
Quantas vezes, no meio do processo, sentimos vontade de desistir? Mas quando escolhemos permanecer — mesmo quando nada floresce —, somos surpreendidos. A beleza chega. Às vezes sutil, às vezes breve. Mas sempre suficiente para nos lembrar que tudo tem seu tempo. Inclusive o nosso florescer.
O florescer não é só o ponto alto. É também o frio que prepara, o recuo que fortalece e o silêncio que nos refaz.
Que esta imagem fale com você assim como falou comigo — sobre coragem, espera e fé no invisível.