Profissionais da enfermagem do Hospital Regional de Guarapuava denunciaram à reportagem da Gazeta uma série de problemas relacionados ao não pagamento do piso salarial da categoria, além de apontarem falta de transparência por parte da empresa responsável pela gestão da unidade hospitalar.
Em relatos enviados à imprensa, funcionários afirmam que seguem trabalhando sob sobrecarga, insegurança e desgaste emocional, enquanto aguardam uma definição sobre o pagamento do piso nacional da enfermagem, garantido por lei.
Segundo os trabalhadores, desde o início da gestão da empresa CIS, instalada no hospital neste ano, há dificuldades na comunicação interna e ausência de esclarecimentos sobre salários, benefícios e direitos trabalhistas.
Os profissionais afirmam ainda que foram contratados com salários considerados muito abaixo do piso nacional da categoria. Conforme os depoimentos, técnicos de enfermagem estariam recebendo salário base de aproximadamente R$ 1.700, além de vale-refeição de R$ 210. A expectativa era de que os valores fossem complementados posteriormente com recursos federais destinados ao pagamento do piso da enfermagem.
No entanto, segundo os funcionários, os pagamentos seguem sem regularização e constantemente novas datas são apresentadas sem solução definitiva.
“Não estamos pedindo favor, estamos cobrando um direito garantido por lei”, relatou um dos profissionais em mensagem encaminhada à reportagem.
Outro ponto levantado pelos trabalhadores é a sobrecarga nas equipes. Conforme os relatos, quando há afastamentos, faltas ou atestados médicos, nem sempre há reposição dos profissionais, o que, segundo eles, compromete a escala mínima recomendada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren).
Os funcionários também demonstraram preocupação com a possibilidade de paralisação caso a situação não seja resolvida. Segundo os relatos, o Hospital Regional atualmente é referência para cirurgias ortopédicas e outros procedimentos de média e alta complexidade, o que poderia impactar diretamente o atendimento à população.
Em um áudio enviado ao grupo de funcionários, um dos responsáveis administrativos pela empresa terceirizada da unidade afirmou que a direção aguarda um posicionamento jurídico da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) para emitir um comunicado oficial aos trabalhadores.
No áudio, o representante informa:
“A gente está aguardando algumas movimentações, inclusive do jurídico da Secretaria Estadual de Saúde. Eles se comprometeram comigo de até amanhã (Sexta) emitir um comunicado oficial para mandar para os funcionários.”
O outro lado
A reportagem da Gazeta Guarapuava cumprindo seu papel ético/profissional, esteve na sede do hospital e foi recebida pelo diretor geral Fernando Guiné. De acordo com Guiné, os relatos apresentados pelos trabalhadores são referentes ao período posterior a 1º de janeiro deste ano, já que, segundo ele, anteriormente havia entendimento claro sobre a obrigatoriedade do pagamento do piso.
Nota da secretaria de estado da Saúde.
Em nota enviada a Gazeta Guarapuava, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas), informou que acompanha permanentemente as demandas relacionadas aos contratos firmados para prestação de serviços em suas unidades hospitalares, inclusive as manifestações recentemente divulgadas envolvendo profissionais que atuam no Hospital Regional do Centro-Oeste (HRCO), mantendo diálogo institucional contínuo com a empresa contratada e os setores envolvidos na execução dos serviços contratados.
A empresa contratada apresentou manifestação administrativa relacionada ao contrato, a qual se encontra atualmente em análise pelos setores competentes, observadas as disposições legais, contratuais e normativas aplicáveis. A contratação firmada possui natureza de prestação de serviços, cabendo à empresa contratada a responsabilidade pelas obrigações trabalhistas, remuneratórias e operacionais relacionadas à execução contratual, nos termos da legislação vigente e das cláusulas contratuais pactuadas.
Os repasses financeiros relacionados ao contrato vêm sendo realizados regularmente, conforme os critérios previstos contratualmente e de acordo com a execução dos serviços prestados.
A Funeas reafirma, ainda, seu respeito e reconhecimento aos profissionais de saúde que atuam na unidade hospitalar, destacando a relevância do trabalho desempenhado pelas equipes assistenciais na prestação dos serviços públicos de saúde à população.
Por fim, a Funeas permanece acompanhando a situação institucional e assistencial da unidade hospitalar, adotando as medidas administrativas cabíveis, dentro de suas competências, para assegurar a continuidade da adequada prestação dos serviços públicos de saúde aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), mantendo-se aberta ao diálogo institucional permanente com os envolvidos.
A Gazeta Guarapuava permanece à disposição dos funcionários, da direção do hospital, dos representantes da empresa terceirizada, além dos órgãos da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná para futuras notas, esclarecimentos e atualizações sobre o caso.

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