A crise envolvendo os funcionários do Hospital Regional de Guarapuava ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (27). Em entrevista concedida à Gazeta, o advogado Victor Andrade, representante do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Guarapuava e Região, fez duras críticas à empresa SIS, responsável pela gestão de trabalhadores no hospital, após a demissão em massa de colaboradores.
Segundo o advogado, os profissionais enfrentam atrasos salariais desde o início da atuação da empresa no hospital, em janeiro deste ano, além de problemas relacionados ao pagamento do piso nacional da enfermagem.
“Onde a saúde pública é tratada como mercadoria, como descaso, com irresponsabilidade. Essas pessoas que estão vindo aqui para Guarapuava não têm compromisso com a população. Além de afetar a vida dos trabalhadores, isso afeta diretamente as pessoas que precisam do Hospital Regional funcionando com dignidade”, afirmou Victor Andrade.
De acordo com ele, os trabalhadores não aceitaram uma proposta apresentada durante reunião sindical para parcelamento dos valores retroativos em até oito vezes.
“Salário tem natureza alimentar. As pessoas precisam pagar aluguel, comprar comida, manter suas famílias. Salário não se parcela”, declarou.
O advogado também afirmou que os avisos prévios entregues aos funcionários apresentam inconsistências jurídicas. Segundo ele, os documentos estariam classificados como “aviso prévio indenizado”, porém com previsão de encerramento apenas em julho.
“Ou o trabalhador é dispensado imediatamente, ou cumpre os 30 dias. Do jeito que está, cria-se um limbo jurídico e uma insegurança enorme para todos”, disse.
Victor Andrade ainda relatou preocupação com a situação da saúde pública no município e com o impacto no atendimento hospitalar.
“Estou muito preocupado com a saúde das pessoas. O hospital vinha funcionando, atendendo a população. Os trabalhadores lutaram pelos seus direitos e acabaram ameaçados com a rescisão”, afirmou.
Conforme informações repassadas por funcionários ao jornalismo da Gazeta, atualmente o Hospital Regional possui 26 pacientes internados na enfermaria cirúrgica, 16 pacientes na clínica médica e 8 pacientes na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Durante a entrevista, Victor Andrade destacou que os trabalhadores demonstram apreensão quanto à continuidade dos atendimentos.
“A doença não marca hora. As pessoas precisam de médico, enfermeiro, técnicos e auxiliares. A saúde pública precisa ser tratada com responsabilidade”, enfatizou.
O diretor do hospital, Fernando Guiné, citado durante a entrevista, foi defendido pelo advogado e pelos apresentadores. Segundo eles, o diretor não teria responsabilidade direta pela situação envolvendo a empresa terceirizada.
Em mensagem enviada à equipe da Gazeta, Fernando Guiné informou que está em Curitiba acompanhando reuniões relacionadas ao caso.
“Estou acompanhando tudo. Tenho reunião no Funes amanhã pela manhã. Tão logo eu tenha alguma informação oficial, nós divulgaremos”, afirmou.
Também nesta quarta-feira, colaboradores receberam um comunicado oficial do setor de Recursos Humanos da SIS solicitando o comparecimento imediato ao RH para tratar de “assuntos administrativos internos”.
O comunicado informa atendimento até as 20h30 desta terça-feira (27) e novamente nesta quarta-feira (28), das 7h30 às 19h30.
A situação segue gerando preocupação entre funcionários, pacientes e familiares diante da possibilidade de impacto direto no funcionamento do Hospital Regional de Guarapuava nos próximos dias.

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