No Brasil, há atualmente mais de 1,6 milhão de crianças registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento (dados acumulados do Registro Civil / Arpen) e mais de 11 milhões de mães solo liderando lares brasileiras (segundo dados do IBGE). Isso sem contar os casos em que há o abandono posterior — os pais que simplesmente fazem de conta que os filhos não existem após a separação.
Hoje, no Brasil, existem leis que buscam resguardar esse vínculo. Pedir indenização por abandono afetivo, por exemplo, já é uma possibilidade jurídica com precedentes de êxito.
No entanto, há algo que não se pode obrigar ninguém a fazer: sentir o que não se sente. Obrigar homens que não têm o menor interesse pelos filhos a conviver pode ser em vão e, muitas vezes, coloca a própria criança em risco.
Muitas mães assumem o duplo papel e fazem o impossível para que os filhos não sintam o peso do abandono paterno. Muitos crescem afirmando que o pai não fez falta, que o avô, o tio ou o padrasto foi a verdadeira referência — e, na maioria das vezes, de fato foi!
Porém, muitos não encontram essa referência paterna e, mesmo com a mãe fazendo de tudo, o vazio persiste.
Antigamente, era tido como um terror não ter a figura paterna. Na escola, a criança via as outras acompanhadas de seus pais em datas comemorativas, o que se tornava um marco doloroso. Hoje, muitas escolas optam por comemorar o "Dia da Família", embora nem sempre isso resolva o sentimento de ausência.
A ausência paterna dói, mas ter um pai que humilha e é violento pode ser infinitamente pior do que não ter um.
Por outro lado, os pais que ficam e decidem paternar — que é vivenciar a paternidade com o mais profundo amor — fazem uma diferença gigantesca na vida dos filhos.
Ser pai não é apenas prover; é educar, dar o exemplo, proporcionar experiências, transmitir valores e ser o porto seguro para os dias difíceis.
Ir além na paternidade envolve também a responsabilidade de conscientizar os filhos para a vida: ensinar aos meninos que os homens devem respeitar as mulheres e protegê-las do perigo, e ensinar às meninas como elas devem exigir ser tratadas por outros homens.
O pai que fica faz uma diferença enorme! Contudo, essa ainda não é a realidade de grande parte do país e, como sociedade, talvez estejamos caminhando no sentido oposto ao resgate desses valores.
Afeto e respeito se ensinam desde cedo. Mais tarde, não adianta tentar remediar; não adianta obrigar!
Feliz dia dos pais para os que ficaram…
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