Na esquina do imprevisto, a lente encontrou uma placa. Simples, objetiva, informativa. Mas quem disse que a cidade não escreve poesia com placas?
De um lado, Lagoa das Lágrimas — nome que parece brotar do fundo de uma história que ninguém terminou de contar. Uma melodia de saudade guardada na água, onde o tempo ecoa baixinho.
Do outro, Hospital São Vicente de Paulo, lugar onde as dores se revelam em carne viva, mas onde também nascem curas, recomeços, respiros.
E entre essas duas direções — a lágrima e o alívio —, um parquinho. Um pedaço de mundo pintado com cores de infância. Balanços, escorregadores, árvores em silêncio. Uma cena que sussurra: a vida continua com delicadeza, mesmo quando tudo pesa.
O céu, meio nublado, hesita entre abrir ou chover — como quem vive, que tantas vezes oscila entre a força e a pausa. E ali, no meio das árvores altas e sombras compridas, há um campo de respiro: onde o tempo desacelera, onde os passos ganham ternura, onde o cotidiano se permite poesia.
O que a lente vê não é apenas um lugar. É um entrelaço sutil entre a fragilidade e o recomeço. Um ponto de encontro entre o que sentimos e o que ainda podemos construir. Não é a cidade gritando — é ela acolhendo em silêncio, como quem oferece colo sem fazer alarde:
“Há espaço para cuidar. Há espaço para continuar.”
Porque mesmo quando o nome é lágrima, o cenário pode ser abraço.
E talvez seja isso que se esquece no correr dos dias — que, às vezes, é no cenário mais sombrio que mora a luz. Acostuma-se a enxergar o que pesa… e se esquece de olhar o que sustenta.