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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
O Preço da Beleza Imediatista: Quando o Rosto Perfeito Vira um Produto de Prateleira
Saúde & bem-estar

O Preço da Beleza Imediatista: Quando o Rosto Perfeito Vira um Produto de Prateleira

Vivemos na era do bombardeamento estético.  Coluna: Marionita Gonçalves Dias

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Basta deslizar o dedo pela tela do celular para ser inundada por promessas de lábios perfeitos, mandíbulas milimetricamente desenhadas e corpos imunes à passagem do tempo. O que antes era tratado com o rigor e o cuidado da medicina, hoje ganhou uma roupagem perigosa: a de um mero bem de consumo.

Com a expansão das linhas de atuação profissional, o mercado da beleza abriu as portas. Biomédicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e fisioterapeutas; uma legião de profissionais migrou para a estética. Se, por um lado, isso democratizou o acesso, por outro, transformou a busca pelo bem-estar em um balcão de negócios. O processo tornou-se prático demais, acessível demais, "na mão" demais. Hoje, entrar em uma clínica de estética muitas vezes se assemelha a entrar em uma loja de conveniência: você aponta para a prateleira, escolhe o procedimento do dia e consome.

Essa facilidade mercadológica anestesia o nosso senso crítico. O desejo que nasce de um filtro de rede social pode ser "comprado" na esquina seguinte, sem filtros reais, sem pausas para reflexão.

Há uma diferença abissal entre o consumo imediato e o ato médico. Quando uma mulher decide buscar um dermatologista esteta, o ritmo é outro. Existe a necessidade de agendar uma consulta, de investir financeiramente nessa avaliação e de passar por um diagnóstico profundo da pele, da saúde e, por que não, da real necessidade daquela intervenção. Esse "tempo de espera"; o processo de marcar, pagar pela consulta e ouvir um profissional especializado; funciona como um poderoso freio psicológico. Ele obriga a paciente a pensar, a amadurecer a ideia e, muitas vezes, a desistir de um desejo que era puramente imediatista, fruto de uma insatisfação passageira.

O perigo mora justamente na ausência desse freio. Seduzidas por propagandas agressivas e facilidades de pagamento, muitas mulheres pulam etapas vitais. Não investigam o histórico de quem está empunhando a agulha, não pesquisam as complicações possíveis e não questionam a banalização de substâncias complexas.

O resultado dessa pressa mercantil tem sido catastrófico. O que deveria ser um resgate de autoestima tem se tornado uma fábrica de tragédias silenciosas. Rostos originalmente lindos e harmônicos acabam deformados por excessos; corpos sofrem mutilações invisíveis sob as roupas e, em casos que a mídia cansa de registrar, o preço final desse consumo desenfreado acaba sendo a própria vida.

A estética não precisa ser inimiga das mulheres, mas a sua mercantilização selvagem certamente o é. Precisamos urgentemente resgatar o valor do tempo, da consulta e do diagnóstico. Cuidar de si mesma não pode ter a mesma dinâmica de comprar uma roupa nova. Afinal, a nossa identidade, a nossa saúde e a nossa integridade física não possuem etiqueta de troca.

FONTE/CRÉDITOS: Marionita Gonçalves Dias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Marionita Gonçalves Dias

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Marionita  Gonçalves

Publicado por:

Marionita Gonçalves

Especializações em terapia familiar sistêmica, avaliação psicológica, autismo e transtornos do desenvolvimento intelectual, ela atualmente é mestranda em Neurociências, além de atuar como treiner empresarial, promovendo saúde mental e comportamental...

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