Nas últimas semanas, Guarapuava assistiu a um espetáculo paralelo às luzes de Natal — o espetáculo dos comentários. Antes mesmo de a cidade ganhar brilho, já havia quem reclamasse da ausência de enfeites, dizendo que “todo ano por essa época já estava iluminado”. A contagem regressiva para o pisca-pisca parecia mais urgente que o próprio espírito natalino.
Pois bem. A administração municipal começou a instalar a decoração, fios subindo, guirlandas aparecendo, luzes finalmente acendendo. Pronto: o que parecia ser motivo de alívio virou combustível para um novo coro — agora, reclamando do valor gasto na decoração.
Então fica a pergunta, com toda sinceridade e sem glitter:
é pra decorar ou não é pra decorar?
Porque, se o Natal chega sem luz, chove cobrança.
Se as luzes chegam, chove indignação.
Se ilumina pouco, é fraco.
Se ilumina muito, é caro.
Se atrasa, reclamam.
Se adianta, também reclamam.
No fundo, talvez o problema não seja o pisca-pisca, e sim o reflexo. A luz acende a cidade, mas também expõe expectativas, frustrações, opiniões — muitas delas mais brilhantes que o próprio LED.
E enquanto a discussão segue iluminada nas redes, uma coisa é certa: dezembro chegou. A cidade acende. A internet ferve. E a coluna fica com a mesma dúvida que ecoa nas calçadas e nos comentários:
Afinal, Guarapuava — é pra decorar ou não é?
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