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Sabado, 11 de Abril de 2026
Crueldade em Rede: o Caso Orelha e o submundo digital que banaliza a violência entre jovens

Saúde & bem-estar

Crueldade em Rede: o Caso Orelha e o submundo digital que banaliza a violência entre jovens

Especialistas alertam que a morte do cão em Florianópolis expõe comunidades online que transformam o sadismo em desafio

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O "Caso Orelha" chocou o país, mas especialistas e autoridades alertam: ele é apenas a ponta de um iceberg muito mais profundo e sombrio. O que parece ser um ato isolado de crueldade contra um animal revela, na verdade, a existência de comunidades estruturadas em plataformas como o Discord, onde o sadismo é transformado em "entretenimento" e desafios.
 
A delegada Lisandrea Salvariego, do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil de SP, alerta para o crescimento do "zoosadismo" entre jovens em comunidades de ódio na internet. 

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O termo descreve o prazer psicológico e a busca por notoriedade através da tortura e morte deliberada de animais, principalmente filhotes de cães e gatos. Segundo a delegada, esses atos são frequentemente realizados "ao vivo" em chamadas de vídeo em plataformas como o Discord, servindo como uma espécie de "moeda social" onde adolescentes competem para demonstrar maior perversidade.
 
O caso do cão "Orelha", morto em Florianópolis, é apontado pela delegada como apenas a "ponta do iceberg". Ela estima que, sob a influência desses grupos, entre 8 e 10 animais sejam mortos cruelmente todas as noites. Além da violência contra animais, o monitoramento do Noad revela uma conexão direta com a radicalização online que leva a ataques em escolas e à indução ao suicídio; em dois anos, o núcleo salvou 358 jovens de tentativas de autoextermínio, número que passaria de 2 mil se computadas as vidas animais protegidas.
 
Especialistas e autoridades destacam que o conteúdo de "brain rot" (deterioração cognitiva por excesso de conteúdo digital fútil ou violento) busca a dessensibilização emocional dos jovens. Atualmente, embora as leis brasileiras tenham agravado as penas para maus-tratos, adolescentes ainda respondem apenas por atos infracionais. A delegada Lisandrea enfatiza a necessidade urgente de conscientização das famílias e de medidas mais energéticas para combater essa rede de violência extrema que opera nas madrugadas do mundo virtual.
 
Perigos e Consequências na Mente dos Jovens
 
A participação nesses desafios gera uma dessensibilização sistemática. Ao torturar um animal para ganhar "likes" ou subir de nível em um ranking, o jovem rompe com a barreira da empatia.
 
 
1. Normalização da Violência: O cérebro adolescente, ainda em desenvolvimento, passa a processar a dor alheia como um estímulo de recompensa (prazer/status).
 
2. Escalada Criminal: Estudos de criminologia indicam que a crueldade contra animais na juventude é um dos principais preditores de violência contra humanos no futuro (o chamado "Ciclo da Violência").
 
3.Desenvolvimento Moral e Ético: O senso de certo e errado é substituído pela validação do grupo. A ética é sacrificada em favor do pertencimento a uma comunidade radicalizada.
 
A Responsabilidade dos Pais: Moral e Criminal
 
Não existe "terceirização" da educação digital. Os pais detêm a guarda e, consequentemente, a vigilância sobre o que ocorre no quarto dos filhos.
 
 Responsabilidade Moral: É dever dos pais monitorar o conteúdo consumido. O isolamento excessivo no computador e mudanças bruscas de comportamento são sinais de alerta. A omissão no diálogo cria um vácuo preenchido por criminosos online.
 
Responsabilidade Criminal: Juridicamente, pais podem ser responsabilizados civilmente pelos danos causados pelos filhos menores. Dependendo da negligência, pode haver implicações sobre o dever de vigilância, além de processos que podem levar à perda do pátrio poder em casos extremos de conivência ou abandono intelectual.
 
O que pode ser feito?
 
O combate a essas redes exige uma tríade: policiamento especializado, rigor judicial e, acima de tudo, presença familiar. O caso Orelha não foi apenas sobre um cachorro; foi um alerta sobre onde nossos jovens estão depositando sua atenção e sua humanidade.
 
Fontes de pesquisa: matérias e entrevistas com a Delegada Lisandrea Salvariego
 
 
FONTE/CRÉDITOS: Marionita Gonçalves Dias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): IA
Comentários:
Marionita  Gonçalves

Publicado por:

Marionita Gonçalves

Especializações em terapia familiar sistêmica, avaliação psicológica, autismo e transtornos do desenvolvimento intelectual, ela atualmente é mestranda em Neurociências, além de atuar como treiner empresarial, promovendo saúde mental...

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