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Guarapuava está falhando com suas mulheres?
Guarapuava

Guarapuava está falhando com suas mulheres?

Em menos de 24 horas, três ocorrências de violência envolvendo mulheres — uma delas terminando em feminicídio — expõem uma realidade que não pode mais ser tratada como casos isolados.

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Há algo profundamente errado quando, em um único fim de semana, uma redação precisa publicar três notícias sobre violência dentro de casa. Mais errado ainda quando uma delas termina com uma mulher morta.

Em Guarapuava, as últimas horas escancararam uma realidade que insistimos em tratar como exceção. Não é.

Uma mulher foi assassinada a facadas dentro da própria residência. O principal suspeito é o companheiro. Em outro bairro, uma jovem de 28 anos foi esfaqueada no tórax e a principal suspeita é uma vizinha. Horas antes, a Polícia Militar foi chamada para atender uma discussão entre marido e mulher. Naquele caso, felizmente, não houve agressão física.

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Três ocorrências. Três histórias diferentes. Um mesmo cenário: a violência.

É importante dizer que nem toda discussão termina em agressão, e nem toda agressão termina em morte. Mas praticamente todo feminicídio começou com algum tipo de violência anterior: controle, humilhação, ameaças, empurrões, isolamento ou agressões que, muitas vezes, foram naturalizadas.

O lar deveria ser o lugar mais seguro do mundo. Para muitas mulheres, infelizmente, é justamente o contrário.

Quando uma mulher perde a vida dentro da própria casa, não fracassa apenas um relacionamento. Falhamos como sociedade. Falha quem agride. Falha quem presencia e se cala. Falha quem trata a violência doméstica como "briga de marido e mulher". Falha quem relativiza sinais claros de perigo.

O feminicídio não acontece de repente. Ele costuma ser o último capítulo de uma sequência de violências que, muitas vezes, poderiam ter sido interrompidas.

É preciso reconhecer também o trabalho das forças de segurança, do Samu, da Polícia Civil, da Polícia Militar e dos profissionais que atendem essas ocorrências diariamente. Mas eles chegam quando a violência já aconteceu. A prevenção depende de todos nós.

Guarapuava é uma cidade acolhedora, trabalhadora e construída por famílias. Justamente por isso, é doloroso perceber que tantas mulheres ainda vivem com medo dentro de casa.

Não podemos permitir que essas notícias se tornem apenas mais uma estatística ou mais um boletim policial. Cada ocorrência representa uma vida marcada, uma família destruída e crianças que crescerão carregando cicatrizes que ninguém vê.

Enquanto houver mulheres vivendo com medo de quem deveria protegê-las, não haverá motivo para comemoração.

A cidade que tanto se orgulha de cuidar das pessoas precisa olhar para dentro de suas casas. Porque nenhuma cidade pode se considerar verdadeiramente segura quando suas mulheres não estão seguras nem mesmo no lugar onde deveriam encontrar paz.

FONTE/CRÉDITOS: Alex Chimiloski
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Gazeta

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Alex Chimiloski

Publicado por:

Alex Chimiloski

Repórter com experiencia de mais de dez anos em TV. Atuou em Guarapuava na Rede Humaitá como repórter e apresentador. Redetv Mais, como repórter e apresentador. Jornalismo Digital pela Uniasselvi.

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