Você sabe de onde vem o alimento que é colocado em sua mesa todos os dias? Muitas vezes, não paramos para pensar no caminho feito por cada grão, legume ou fruta até chegar ao nosso prato. Por trás de boa parte dos alimentos consumidos diariamente pelos guarapuavanos, há o trabalho do agricultor familiar. E hoje, dia 25, comemoramos o Dia do Agricultor Familiar, uma data que reforça a importância desse setor fundamental para a alimentação, a economia e a cultura da nossa cidade.
Segundo o Ministério de Desenvolvimento Agrário, a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Em Guarapuava, essa realidade se reflete no campo, onde famílias dedicam suas vidas à produção de alimentos de qualidade, movimentando a economia local e preservando práticas agrícolas que respeitam o meio ambiente.
Os agricultores familiares, constroem sua vida no campo com dedicação e conhecimento passado de geração para geração. Diferente da agricultura em larga escala, que muitas vezes é mecanizada e voltada à exportação, a agricultura familiar é caracterizada pelo cultivo em pequenas propriedades, com uso da mão de obra da própria família e foco na produção diversificada de alimentos.
Em Guarapuava, grande parte da produção da agricultura familiar é composta por hortaliças, que se destacam como os principais cultivos nas propriedades rurais do município. É o caso do Luiz Carlos Didur, que há 15 anos cultiva hortaliças. Filho de lavrador, ele nasceu e cresceu no meio da roça, e apesar de já ter trabalhado com outros tipos de lavoura, encontrou na agricultura familiar o seu caminho. “A maior parte da produção é hortaliça. Eu comecei faz uns 15 anos, e tudo aqui é feito em família desde o plantio, colheita e preparo para a feira”.
A rotina é intensa e começa cedo. No município, onde o clima é marcado por invernos rigorosos, o frio e as geadas representam um dos maiores desafios para quem vive da agricultura familiar. As baixas temperaturas afetam diretamente a produção, especialmente de hortaliças, e colocam em risco o trabalho de semanas ou até meses. “O frio é o maior problema, derruba a produção e atrapalha a venda. Tem épocas que a gente perde quase tudo”, relata Luiz. Ainda assim, mesmo diante das adversidades climáticas, o que se vê no campo é dedicação. Os agricultores seguem firmes, movidos pelo compromisso com a terra, pela força da família e pelo desejo de oferecer alimentos frescos e saudáveis à população.
Foi nas feiras do produtor que Luiz encontrou seu espaço. Após um período vendendo seus produtos em mercados, ele optou por se dedicar exclusivamente às feiras de Guarapuava, onde esse contato direto com o consumidor faz toda a diferença. Para ele, esse vínculo é especial, pois permite mostrar a qualidade do que é cultivado no campo com tanto esforço. “Muita gente pergunta se é orgânico, se é natural. E a maioria do que a gente produz aqui é mesmo, com quase nada de agrotóxico”, explica.
Do campo à mesa, a força da família que nutre Guarapuava
As feiras de Guarapuava são muito mais do que espaços de comércio. Elas são pontos de encontro entre quem produz e quem consome, entre o campo e a cidade. É nas bancas coloridas, cheias de verduras frescas, frutas, ovos caipiras e produtos coloniais, que os agricultores familiares encontram a oportunidade de vender diretamente o resultado do seu trabalho.
Em diferentes bairros e regiões do município, as feiras se tornaram essenciais para a economia local e para a valorização da produção rural. Elas não só garantem renda para as famílias, como também fortalecem a alimentação saudável, o consumo consciente e o vínculo da população urbana com a realidade do campo. Para muitos produtores, como Luiz, as feiras garantem não apenas a renda do produtor, mas também sua autonomia e a visibilidade que muitas vezes falta no campo.
Guarapuava atualmente conta com 1.297 agricultores familiares ativos, segundo dados da Secretaria Municipal de Agricultura. São homens e mulheres que vivem da terra e que, com muito esforço, garantem alimento fresco e de qualidade para a população. Para escoar essa produção e fortalecer o vínculo com o consumidor, o município tem mais de cinco feiras espalhadas por diferentes regiões, oferecendo à comunidade a possibilidade de comprar diretamente de quem produz.
As feiras funcionam semanalmente em locais estratégicos, atendendo tanto os bairros centrais quanto às regiões mais afastadas. Além de movimentarem a economia local, as feiras promovem a inclusão produtiva e são um reflexo da diversidade e da força da agricultura familiar guarapuavana. Cada feira carrega suas particularidades, mas todas têm em comum a presença de alimentos frescos, preços acessíveis e a conexão direta entre produtor e consumidor.
