A defesa de Débora Aparecida Custódio Ferreira afirmou que o julgamento do caso envolvendo o ataque com substância ácida contra Isabelly Aparecida Ferreira Moro deverá trazer novos elementos sobre a dinâmica do relacionamento entre os envolvidos e sobre os fatos investigados pela Justiça.
Em áudio enviado à Gazeta, o advogado Jean Campos declarou que, após dois anos de espera, o processo se aproxima de um momento decisivo. Segundo ele, o caso ganhou repercussão nacional e permitirá que Débora apresente sua versão dos acontecimentos perante o Tribunal do Júri.
“É o momento em que a Débora poderá trazer a verdade, contar de forma minuciosa tudo aquilo que viveu ao longo desse relacionamento”, afirmou o defensor.
Jean Campos argumenta que a sociedade ainda não reconhece plenamente todas as formas de violência contra a mulher, especialmente a violência psicológica. De acordo com a defesa, Débora seria vítima de pressões e ameaças dentro do próprio relacionamento.
O advogado também afirmou que a equipe de defesa reuniu provas que apontariam para uma realidade diferente da apresentada pela acusação. Segundo ele, o conselho de sentença deverá analisar elementos que indicariam “quem realmente estava no controle da situação”.
A defesa declarou ainda confiar que a Justiça prevalecerá durante o julgamento e criticou a linha adotada pela acusação no processo.
Acusados irão a júri popular
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) determinou que os acusados de envolvimento no ataque contra Isabelly Moro, ocorrido em 22 de maio de 2024, sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A decisão de pronúncia foi publicada pela Vara Criminal de Jacarezinho e reconhece a existência de indícios suficientes para que o caso seja analisado por jurados populares. A data do julgamento ainda não foi definida.
Serão levados a júri o ex-namorado da vítima, Marlon Ferreira Lemes, e a atual companheira dele, Débora Aparecida Custódio Ferreira. Marlon está preso na Penitenciária Estadual de Londrina, enquanto Débora permanece detida na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina.
A defesa de Marlon, representada pelo advogado Leonardo Pimenta de Freitas Aguiar, ressaltou em entrevista a CNN Brasil, que a decisão não significa condenação antecipada, mas apenas o encaminhamento do caso para julgamento popular.
Segundo o defensor, desde o início do processo a defesa sustenta que Marlon não tinha domínio sobre os fatos, especialmente porque estava custodiado no período em que o crime ocorreu. A tese apresentada busca a desclassificação da acusação para lesão corporal grave, com afastamento das qualificadoras relacionadas à tentativa de feminicídio.
Já Jean Campos classificou a acusação contra Débora como “desproporcional” e informou que pretende recorrer da decisão judicial, buscando a anulação da pronúncia e a retirada das qualificadoras atribuídas à ré.
Relembre o caso
O ataque ocorreu em maio de 2024, quando Isabelly Moro caminhava por uma calçada e foi surpreendida por uma mulher usando roupas pretas e uma peruca loira. A suspeita lançou uma substância ácida em direção ao rosto da jovem.
Após o ataque, a vítima correu e caiu ao chão pedindo ajuda a pessoas que passavam pelo local. Equipes da Polícia Militar encontraram um copo e uma sacola que teriam sido utilizados na ação criminosa. Imagens de câmeras de segurança também foram recolhidas e encaminhadas para investigação da Polícia Civil.

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