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Sabado, 11 de Abril de 2026
Caso Orelha: O crime que chocou Santa Catarina e os limites do diagnóstico de psicopatia em jovens

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Caso Orelha: O crime que chocou Santa Catarina e os limites do diagnóstico de psicopatia em jovens

Entendendo o Comportamento: Transtorno de Conduta

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O caso do cão Orelha, ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis (SC), gerou uma onda de indignação nacional pela brutalidade gratuita contra um animal indefeso e dócil. Orelha era um cão comunitário de 10 anos, cuidado por moradores e frequentadores da região, que foi covardemente espancado por um grupo de adolescentes.

O Que Aconteceu com o Cão Orelha?
No início de janeiro de 2026, Orelha foi brutalmente agredido. De acordo com os laudos periciais e investigações da Polícia Civil, o animal foi atingido na cabeça por um objeto contundente, o que causou lesões cerebrais gravíssimas. Ele foi encontrado em estado de agonia e socorrido por moradores, mas, devido ao quadro irreversível e ao sofrimento extremo, a equipe veterinária precisou realizar a eutanásia.

As investigações revelaram que, além do espancamento de Orelha, o grupo de adolescentes também teria tentado afogar outro cão comunitário, conhecido como Caramelo. Quatro adolescentes foram identificados, e a polícia também indiciou adultos (familiares) por suspeita de coação de testemunhas para atrapalhar as investigações.

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Entendendo o Comportamento: Transtorno de Conduta

Casos de crueldade extrema contra animais na adolescência acendem um alerta vermelho para a psicologia e a psiquiatria. O diagnóstico clínico mais comum para esses comportamentos nessa faixa etária é o Transtorno de Conduta (TC). 
“…É importante ressaltar que este texto não configura um diagnóstico clínico. Não é possível diagnosticar indivíduos à distância; as análises aqui apresentadas são meras suposições teóricas sobre quais quadros clínicos costumam estar associados a comportamentos dessa natureza. Vale destacar que a crueldade não requer, obrigatoriamente, um transtorno psiquiátrico para se manifestar. Além disso, esta publicação não tem o intuito de acusar formalmente os envolvidos, baseando-se estritamente nas informações divulgadas pelos veículos de imprensa e noticiários locais…”

 O que é: Um padrão repetitivo e persistente de comportamento no qual os direitos básicos dos outros ou normas sociais importantes são violados.
 
Crueldade com animais: Este é um dos critérios diagnósticos mais graves e preditivos do transtorno. Indivíduos com TC podem demonstrar falta de empatia, ausência de remorso e tendência a culpar os outros por suas ações.

 Outros sinais: Agressividade contra pessoas, destruição de propriedade, furtos e mentiras frequentes.
Psicopatia vs. Transtorno de Personalidade Antissocial
Muitas vezes, a sociedade rotula esses jovens como "psicopatas", mas tecnicamente e legalmente, o cenário é mais complexo:

Por que não se diagnostica Psicopatia agora?
A psicopatia é um traço de personalidade que envolve um déficit afetivo profundo. No entanto, na prática clínica e jurídica brasileira, não se aplica esse diagnóstico a menores de 18 anos. Isso ocorre porque a personalidade do adolescente ainda está em formação. Além disso, as escalas de avaliação de psicopatia (como o PCL-R) são validadas majoritariamente para a população carcerária adulta. Em menores, utiliza-se o termo "Traços de Insensibilidade e Falta de Emoção" (CU traits), que podem ou não evoluir para a psicopatia na vida adulta.

O Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS)
O que popularmente chamamos de psicopatia está, no manual de diagnósticos (DSM-5), muito próximo do Transtorno de Personalidade Antissocial.
 
A Regra dos 18 anos: O diagnóstico de TPAS só pode ser feito após os 18 anos.
 
O Requisito: Para que um adulto seja diagnosticado com Transtorno Antissocial, ele obrigatoriamente deve ter apresentado sintomas de Transtorno de Conduta antes dos 15 anos.
 
A Diferença: Enquanto o Transtorno de Conduta é o diagnóstico da infância/adolescência, o TPAS é a continuidade desse padrão na vida adulta, caracterizado pelo desrespeito crônico às leis, impulsividade e total ausência de empatia ou culpa.

O caso do cão Orelha não é apenas um crime ambiental; é um sintoma social de que esses jovens podem apresentar uma patologia comportamental grave. Sem intervenção psicológica e medidas socioeducativas rigorosas, o Transtorno de Conduta hoje pode se tornar um Transtorno Antissocial amanhã, onde as vítimas deixarão de ser apenas animais.

FONTE/CRÉDITOS: Marionita Gonçalves Dias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reprodução
Comentários:
Marionita  Gonçalves

Publicado por:

Marionita Gonçalves

Especializações em terapia familiar sistêmica, avaliação psicológica, autismo e transtornos do desenvolvimento intelectual, ela atualmente é mestranda em Neurociências, além de atuar como treiner empresarial, promovendo saúde mental...

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