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Quinta-feira, 30 de Abril 2026
Você quer mesmo… ou só não quer ficar de fora?
COTIDIANO

Você quer mesmo… ou só não quer ficar de fora?

O que o “morango do amor” revela sobre a nossa relação com as tendências

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Basta uma trend viral como o “morango do amor” tomar conta das redes para que milhares de pessoas queiram experimentar, não só o sabor, mas a sensação de pertencer. Isso tem nome: FOMO, sigla em inglês para “fear of missing out”, ou medo de ficar de fora. Essa síndrome tem influenciado o comportamento da sociedade, principalmente da Geração Z, que cresceu conectada e é altamente impactada por influenciadores e novidades digitais.

Estudos apontam que 60% dos jovens dessa geração já compraram algo só porque viralizou. A lógica é simples: se todo mundo está falando, eu também preciso ter. A necessidade de fazer parte, e postar sobre isso tem moldado não só o consumo, mas o comportamento coletivo.

Essa compulsão por acompanhar o que está “em alta” não é de hoje e nem inclui apenas a geração Z, mas também a Y (Millennials). Lembra da febre dos tênis da moda nos anos 90? Ou da corrida pelos celulares flip? Teve também o spinner, a pulseira do equilíbrio, o frappuccino colorido, a calça boca de sino de volta no armário, o álbum da Copa e até o “desafio do balde de gelo”. Tudo isso nos mostra que as tendências vêm e vão, mas o medo de ficar de fora, esse continua.

Mas de onde surgiu a necessidade de sempre estar acompanhando o que o coletivo faz? Sabe aquela frase de mãe: “você não é todo mundo”, pois, é ela parou de fazer sentido dos anos 2000 pra cá, principalmente com a chegada da tecnologia que moldou a sociedade e nossa forma de consumo, de pensar, de trabalhar e até de viver.

Por estarmos conectados o tempo todo sempre queremos vero que o outro está fazendo. Antes do boom das redes sociais, quem não lembra das edições do BBB, por exemplo, onde tudo o que os participantes usavam, se tornava referência e impactava a moda e os costumes.

Como esquecer da nova O Clone (2001) quando uma moda árabe tomou conta do Brasil e as crianças e adolescentes compravam a roupa verde da Jade. A moda das pulseiras dela, e até a forma de se maquiar virou febre no Brasil. Então não é de hoje que moldamos os costumes às tendências virais. Antes, era TV, hoje é a internet. Mas porque hoje isso preocupa muito mais do que antes?

Porque hoje as tendências se tornam até doentias, antes, comprava quem queria, as pessoas não eram tão influenciadas porque não tinham a rede social pra se exibir. Hoje comprar é lei, eu preciso estar dentro da bolha, preciso comprar ou provar pra não ficar de fora e isso tem nome, como disse no início do texto, Fomo “Fear ofmissing out” (medo de ficar de fora).

A síndrome de FOMO, segundo psicólogos e especialistas em comportamento, é uma ansiedade social provocada pela sensação de estar perdendo algo importante, uma experiência, um evento, uma novidade, uma conversa. Ela se intensificou com o uso constante das redes sociais, onde todos compartilham apenas os “melhores momentos”.

Principais pontos levantados por psicólogos:

Comparação constante:

As redes criam um ambiente onde as pessoas se comparam o tempo todo. Isso ativa o sentimento de insuficiência e insegurança.

Busca por validação:

Curtidas, comentários e visualizações funcionam como reforços positivos. Quem não participa da “trend” sente que está fora do circuito de validação social.

Impulsividade e consumo:

FOMO leva a comportamentos impulsivos, como comprar algo só porque “todo mundo tem” ou participar de algo só para “não ficar por fora”.

Consequências emocionais:

Pode gerar estresse, baixa autoestima, sensação de exclusão e até sintomas depressivos, especialmente em adolescentes e jovens adultos.

Antídoto?

Psicólogos indicam praticar o JOMO (JoyofMissing Out) a alegria de não participar de tudo como forma de manter o equilíbrio mental e o senso de identidade.

E o “morango do amor”? O que ele revela?

Recentemente o morango do amor inundou as redes sociais e todo mundo quis comprar. Cada morango pode custar é R$ 20,00. Para um país onde o salário mínimo é R$ 1.518. é um gasto irrisório em um simples morango. Famosos influenciadores como Bruna Marquezine e Lucas Rangel, chegaram a postar que pagaram R$ 2 mil em uma caixa com morangos do amor, isso é normal?

Efeito manada:

Quando muitas pessoas fazem ou consomem algo, tendemos a imitá-las especialmente se isso é associado a pertencimento, status ou prazer.

Estímulo visual:

O morango do amor é esteticamente agradável, fácil de reproduzir e “instagramável”. Isso alimenta o desejo de experimentar e mostrar que você também fez parte da “experiência coletiva”.

Prazer instantâneo:

Pequenas tendências como essa oferecem uma dose rápida de dopamina substância ligada ao prazer o que faz com que sejam muito compartilhadas.Participar da trend é uma forma de “dizer quem você é” online. Ao postar, a pessoa não mostra só o doce, mas que está conectada, atualizada e pertencente ao grupo.

A crítica não é o morango do amor, nem quem faz para vender, a reflexão é onde essa necessidade de pertencer a algo, está levando a sociedade, é qual valor vemos nas coisas e porque ser movido a tendências, isso não é saudável e nunca será. Uma sociedade que se influencia por um doce, se deixa influenciar por qualquer outra coisa, e isso não é sobre doces.

 

FONTE/CRÉDITOS: Elis Carraro
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): "Morango afixado com silver tape", foto do autor à semelhança da banana do artista Maurizio Cattelan. Foto: Isaac Antônio Camargo
Elis Carraro

Publicado por:

Elis Carraro

Jornalista, atua como apresentadora do podcast Café ACIG, passou por veículos como a afiliada da Globo em Santa Catarina, Record TV (SC, PR e SP), e TV Alesp Notícias. Editora-Chefe do jornal Correio do Norte, em Canoinhas (SC).

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