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Roblox: O Perigo Está Mais Perto do que Imaginamos
Saúde & bem-estar

Roblox: O Perigo Está Mais Perto do que Imaginamos

Plataforma de jogos online apresenta falhas graves na proteção de seus usuários mais jovens, expondo a urgência de supervisão

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Roblox é uma plataforma de jogos online extremamente popular, especialmente entre crianças e adolescentes. Com uma classificação pela ESRB como "T" para adolescentes, muitos pais acreditam que a plataforma seja segura para seus filhos. No entanto, a realidade revela um cenário bastante preocupante: milhares de crianças acessam livremente essa plataforma, muitas vezes sem a devida supervisão.

Ao longo dos últimos anos, diferentes veículos de comunicação têm divulgado denúncias e alertas sobre os riscos do Roblox. Em 19 de novembro de 2024, o G1 publicou uma matéria que apontava que a plataforma havia adotado medidas em resposta a denúncias de abusos sexuais dentro dos jogos. No entanto, essa tentativa de controle parece insuficiente diante de fatos mais alarmantes. Em 14 de abril de 2025, o The Guardian trouxe à tona a acusação de que o Roblox estaria apresentando uma desconexão preocupante entre sua aparência infantil e a realidade dos conteúdos e comportamentos que circulam na plataforma.

Mais cedo, em 21 de outubro de 2024, o portal UOL publicou uma matéria abordando casos de pedofilia no Roblox, evidenciando que a plataforma estava sendo processada nos Estados Unidos por permitir a exploração infantil e a pedofilia. O procurador-geral dos EUA entrou com uma ação contra a empresa, acusando-a de negligência na proteção de seus usuários mais vulneráveis. Além disso, o programa Domingo Espetacular, há duas semanas, destacou os riscos que o Roblox oferece às crianças, reforçando a necessidade de atenção dos pais.

Uma denúncia que ganhou destaque foi feita pelo youtuber Peter Jordan, que revelou a adultização de conteúdos dentro do Roblox, incluindo réplicas de festas de celebridades como P. Diddy e até situações de prostituição simulada. Essas revelações mostram que, apesar das aparências, o ambiente do Roblox pode abrigar conteúdos e comportamentos altamente inadequados para crianças.

Apesar de tantas informações e denúncias, muitos pais continuam permitindo que seus filhos joguem livremente, às vezes confiando nas configurações de controle parental ou acreditando que basta desativar o chat. Contudo, a realidade é mais complexa: o Roblox é uma plataforma que permite aos usuários criar seus próprios jogos, o que, por um lado, é uma demonstração de criatividade, mas, por outro, facilita a circulação de conteúdos inapropriados. Crianças têm acesso a salas de bate-papo onde circulam linguagem sexualizada, bullying e até simulações de prostituição. Há relatos de crianças que, dentro do jogo, assumiram papéis de prostituição para ganhar pontos ou moedas, além de enfrentarem desafios que colocam suas vidas em risco.

Mesmo com o controle parental ativado, muitas dessas interações escapam dos filtros automáticos do sistema. Existem diversas comunidades dentro do Roblox — inclusive aquelas voltadas para crianças — que são frequentadas por adultos, muitas vezes com intenções inapropriadas. As configurações de bloqueio podem ser facilmente burladas por crianças, que encontram tutoriais ensinando como desativá-las. Mesmo que os pais recebam alertas ou tentem monitorar, muitos jogos inadequados continuam acessíveis, passando pelos filtros da plataforma.

Relatos de mães e responsáveis também reforçam o perigo: casos de pedófilos que tiveram acesso a seus filhos através do Roblox são comuns. Comentários como “Peguei um pedófilo conversando com meu filho de 11 anos” ou “Um pedófilo se passando por uma menina tentou se aproximar do meu filho” ilustram a gravidade da situação. Essas experiências deixam claro que o risco não é apenas teórico, mas uma ameaça real e concreta.

Cabe destacar que o problema não se limita ao Roblox. Outras plataformas de jogos, canais do YouTube, TikTok e Instagram também representam riscos para a infância, seja por conteúdos inadequados, cyberbullying ou predadores online. Além disso, o uso excessivo de telas e jogos pode levar à dependência, considerada um transtorno mental pelo DSM-5 e CID-11, causando crises de ansiedade, burnout digital e outros problemas de saúde mental em crianças.

A questão central é: por que os pais continuam deixando seus filhos na internet e nas plataformas digitais sem supervisão adequada? Há casos de crianças que foram internadas com sinais de burnout digital ou crises de ansiedade decorrentes do uso excessivo de telas. Onde termina a responsabilidade dos pais e onde começa a do sistema de plataformas digitais, que muitas vezes não conseguem ou não querem garantir a segurança plena de seus usuários?

Se você deseja que seu filho continue a jogar Roblox, a melhor estratégia é estar presente, jogar junto, estabelecer limites de tempo e conversar sobre os perigos dos ambientes virtuais. Educar na era digital não é uma tarefa fácil, mas é fundamental. Proibir rotineiramente, retirar o acesso em casa ou confiar cegamente nas configurações não é suficiente. É preciso dialogar, ensinar valores e manter uma supervisão ativa. O Roblox está em alta e é o tema do momento, mas o cuidado deve ser constante.

Nota da autora: durante as minhas pesquisas, fiquei profundamente impactada com o conteúdo perverso encontrado na plataforma. Ver como facilmente alguém pode se passar por uma criança e conquistar outras foi assustador. Testei os sistemas de segurança e percebi o quão frágeis são as diretrizes de proteção. Além disso, muitos pais desconhecem o grau de vulnerabilidade de seus filhos, e alguns chegam a me tratar como paranoica ao alertá-los. Observando postagens no TikTok, constatei que há adultos se passando por crianças, muitas vezes para atacar quem alerta sobre o Roblox. Essa combinação de negligência, falta de fiscalização e a facilidade de acesso a conteúdos nocivos reforça a necessidade de uma vigilância constante e de uma educação digital responsável.

 

FONTE/CRÉDITOS: Marionita Gonçalves Dias
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Internet
Marionita  Gonçalves

Publicado por:

Marionita Gonçalves

Especializações em terapia familiar sistêmica, avaliação psicológica, autismo e transtornos do desenvolvimento intelectual, ela atualmente é mestranda em Neurociências, além de atuar como treiner empresarial, promovendo saúde mental e comportamental...

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