Você já reparou que a geração millennial (nascidos no final dos anos 90) tem dificuldade na formação de uma família? E que muitas mulheres dessa geração deixam a maternidade para depois dos 30 anos? Mas o que tudo isso impacta na sociedade e no futuro do nosso país?
Neste texto quero refletir com você, caro leitor, os impactos da baixa natalidade no Brasil. Historicamente, o Brasil sempre foi um país populoso. Segundo a The Global Economy, ao longo do tempo, o Brasil já teve, em média, cerca de 26 nascimentos para cada 1.000 pessoas. O maior número registrado foi em 1960, com quase 44 nascimentos por 1.000 pessoas. Já o menor número foi em 2022, com cerca de 13 nascimentos por 1.000 pessoas. Isso mostra que a taxa de natalidade no país vem diminuindo bastante ao longo dos anos.
Essa tendência de declínio vem sendo impulsionada por fatores como urbanização, acesso à educação e planejamento familiar, que contribuem para a redução da fecundidade. Mas esta não é uma tendência só do Brasil, é uma tendência mundial. O termo “NoMo” (No Mothers) vem se popularizando mundialmente quando o assunto é natalidade. Com a inserção das mulheres no mercado de trabalho, ficou cada vez mais difícil as mulheres assumirem o papel de mãe. Trabalhar em tempo integral e ainda se dedicar à criação dos filhos é um desafio diário, esgotante e não reconhecido. A mulher na maternidade passa por transformações físicas, mentais e emocionais, e a sociedade não tem suporte ou base para ajudá-las nesse período, o que leva muitas delas a terem medo da maternidade.
Vou citar exemplos práticos: muitas mães têm medo de engravidar e, ao voltar da licença-maternidade, serem demitidas. Sim, isso ocorre com frequência no Brasil. Outras têm medo da situação financeira e econômica, já que viver no Brasil custa caro e o poder de compra é baixo. Logo, manter um filho é inviável sem poder oferecer a ele o básico com qualidade. Outro ponto é que o mercado de trabalho é cruel com mães, sejam elas de filhos pequenos (já que podem adoecer) e, muitas vezes, elas não podem se ausentar para cuidar deles. Outro ponto é que é muito mais difícil conseguir trabalho se você tem filhos pequenos. É como ter um “não estou apta para trabalhar” colado no peito. Cruel, não é mesmo? Mas é a realidade no Brasil.
Outro fato é que as mulheres têm medo das experiências vividas por suas mães e avós, que casavam cedo, tinham muitos filhos e dependiam dos maridos. Tiveram, em sua maioria, a vida difícil e, ao não querer repetir o mesmo ciclo, tiveram tanto medo da gravidez na adolescência que preferiram deixar a maternidade em segundo plano. Ter ou não ter filhos é uma questão particular de cada um, mas precisamos fazer o mundo continuar. Estamos envelhecendo, e isso é inevitável. Precisamos de novos brasileiros chegando ao mundo para ser mão de obra, para girar a economia e para podermos, um dia, ter a chance de se aposentar e descansar. Caso contrário, teremos que trabalhar até os 70 anos!
Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade mais alta registrada no país foi na região Norte, enquanto o Rio de Janeiro apresentou a menor taxa. E nem precisamos falar os motivos, né? Atualmente, as regiões Norte e Centro-Oeste são as únicas com taxa de fecundidade superior à média nacional, com 1,83 e 1,71 filhos por mulher, respectivamente.
Mas esta situação pode trazer sérios problemas para a sociedade do futuro. Nas projeções do mesmo estudo, a população brasileira pode ser inferior a 200 milhões de habitantes a partir de 2070, atingindo aproximadamente 199.228.708 pessoas. O levantamento indica ainda que os estados do Rio Grande do Sul e Alagoas devem ser os primeiros a apresentar redução populacional já a partir de 2027. Em seguida, o Rio de Janeiro também deverá registrar queda populacional a partir de 2028.
O envelhecimento da população e a diminuição da natalidade levantam preocupações quanto ao futuro da sociedade, especialmente em relação à capacidade de manter os padrões de vida e bem-estar. A queda na taxa de natalidade é um fenômeno complexo, com múltiplas causas e consequências. Compreender essas dinâmicas é essencial para a formulação de políticas públicas eficazes, capazes de mitigar impactos negativos e garantir um futuro sustentável.
Com menos nascimentos, há menor reposição de trabalhadores, o que implica em menos pessoas contribuindo para o sistema da Previdência Social que é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões. Além disso, taxas de natalidade persistentemente baixas podem indicar desafios de ordem econômica, social e de saúde pública.
Mas essa responsabilidade também é do governo, do estado e do município: gerar políticas públicas de apoio às mães, auxílio-creche e garantia de estabilidade e atendimento público de qualidade antes e durante o parto podem encorajar essas mulheres a entenderem que gerar filhos não é problema, é bênção. Mas, para ser bênção, precisamos comer muito feijão com arroz e mudar a política interna do Brasil, mas isso é papo para outra coluna.
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