Imagine a cena: no mesmo balcão de uma loja tradicional do centro de Guarapuava, Seu João (60 anos) prefere anotar pedidos no caderno, enquanto Ana (21 anos) quer tudo integrado no sistema, com atualização em tempo real no WhatsApp Business. Nenhum dos dois está “errado” eles apenas trazem experiências, ritmos e expectativas diferentes.
No texto de hoje nós vamos falar de Conflito Geracional, mas afinal o que é isso?
Conflito geracional é o atrito, às vezes discreto, às vezes barulhento que surge quando pessoas de faixas etárias distintas trabalham, decidem e convivem juntas. Ele costuma aparecer quando diferenças de valores, linguagem, prioridades ou familiaridade com tecnologia não são reconhecidas, acolhidas ou bem traduzidas pela liderança.
Hoje vivemos isso de forma bem agressiva no mercado de trabalho porque as gerações se conflitam o tempo todo por diferenças de opiniões e ainda o boom da tecnologia. Para facilitar o entendimento desta leitura, vamos entender quais são as gerações:
- Baby Boomers: Nascidos entre 1946 e 1964.
- Geração X: Nascidos entre 1965 e 1980.
- Millennials (ou Geração Y): Nascidos entre 1981 e 1996.
- Geração Z: Nascidos entre 1997 e 2010.
- Geração Alpha: Nascidos a partir de 2010.
O mercado de trabalho atual é movido pela geração Y (Millennials) e da geração Z, que convive com a geração X e os Baby Boomers. Como vimos acima a geração Millennials foi criada no pleno desenvolvimento tecnológico. Foi a geração que viu a internet discada, o computador “tubão branco”, o “Nokia Tijolão”, fazia os trabalhos em Lan-House e viu os primeiros Smartphones sendo criados. Essa geração é de 25-30 anos no mercado de trabalho, e convive com a geração X que viu o datilógrafo, a máquina de escrever, o telegrama, o fax, que fazia contas de cabeça por que quase não usavam calculadoras, e que a tecnologia parecia distante. Essa geração X também conviveu com os Baby Boomers, que viveu a guerra, e um mundo completamente diferente do que temos hoje.
Só por aí percebe-se o quão difícil é conviver em um mercado de trabalho com uma pessoa de 25 e outra de 50, muita coisa mudou em 25 anos, e estas diferenças, muitas vezes, são “espinhos” no ambiente laboral. Tá, mas então como resolver o problema?
Dados que acendem o alerta (e abrem oportunidade)
Segundo uma pesquisa do Ecossistema Great People & GPTW, dá pra ver que a sensação de "não estamos nos entendendo" entre faixas etárias não é impressão isolada:51,6% das organizações relatam dificuldade em lidar com as diferentes gerações e suas expectativas no ambiente de trabalho.
O maior atrito está com a Geração Z: para 68,1% dos entrevistados, o “match” com os mais jovens ainda não aconteceu.A diferença é enorme quando comparamos com os Baby Boomers apenas 11,4% citam essa geração como foco de conflito. A geração Y e Z, tendem a ser mais rápidos, criativos, impulsivos, gostam de colaborar e dar ideias, e valorizam um ambiente onde se sintam respeitados, afinal saúde mental é a sua prioridade. Após a pandemia da covid-19 em 2020, as questões de saúde mental no ambiente de trabalho se tornaram mais assíduas e 52% dos entrevistados priorizam ambientes tranquilos do que salário na hora de buscar emprego.
Para muitos jovens dessa geração, o tempo não corre em fila (fazer A, depois B, depois C), e sim em abas abertas simultâneas: realidade paralela, multitarefas, vários grupos acontecendo ao mesmo tempo. Quando o ambiente de trabalho é lento, rígido ou pouco transparente, a frustração chega rápido, e com ela a decisão de sair.
Pesquisas vêm mostrando que a Geração Z tende a deixar o emprego quando se sente sobrecarregada, estressada ou percebe que a saúde mental está indo pro limite. Já a geração X ou os Baby Boomers, veem o mundo de outra forma. Acostumados com a pressão de um mundo pós-guerra, e com o trabalho duro, são rígidos, cumprem metas, e se doam pelo trabalho com responsabilidade e comprometimento, muitas destas pessoas, hoje tem carreiras sólidas com 30 anos ou mais na mesma empresa.
O mesmo relatório traz outro sinal importante: em 2023, pela primeira vez na série histórica (iniciada há seis anos), saúde mental apareceu como o principal desafio de gestão de pessoas, indicada por 36,9% dos respondentes. E quase um consenso: 96,9% das pessoas consultadas consideram que saúde mental e emocional é um tema importante na gestão de pessoas.
Entender as diferenças e extrair o melhor da situação
Mas conviver com as diferenças pode parecer falta de compromisso da geração Z e assédio ou temperamento explosivo da geração X. Muitas empresas locais são familiares e atravessam gerações: fundadores, filhos, sobrinhos e novos colaboradores recém-contratados. Ao mesmo tempo, o consumidor também mudou pesquisa online, decide pelo celular, mas valoriza o atendimento humano tradicional. Empresas que juntam confiança construída no tempo com agilidade digital tendem a se destacar. É ai que entra o papel do líder, entender qual prioridade tem a geração z qual tem a geração X e colocar cada “macaco no seu galho”, ou seja, se a geração Z tem facilidade com criatividade, e tecnologia, coloque-os nestas funções, treine-os para novidades e crie ambientes onde esta geração se vê representada, extraia o melhor dela. Se a geração X é mais conservadora atua no modo tradicional e prefere não estar atento as tecnologias, coloque-a em um ambiente ou função onde seus dons, valores, visão são respeitados e ela pode colaborar com a empresa ao seu modo.
E se a geração X for o líder da geração Z, sugiro que estude, como as lideranças se portam atualmente, Invista na equipe e no seu conhecimento, o mundo mudou e você precisa acompanhar essas transformações.
Como usar esses dados na prática?
- Mapeie gerações na sua equipe e cruze com indicadores de rotatividade e afastamentos.
- Inclua saúde mental no diagnóstico: use questionários anônimos curtos a cada trimestre.
- Converse com os jovens antes de perdê-los: check-ins quinzenais de 10 minutos podem prevenir desligamentos.
- Misture experiência + ritmo digital em projetos-piloto: escolha um processo simples (atendimento, vitrine online, gestão de estoque) e forme dupla intergeracional.
Como o choque, ou o encontro entre gerações aparece no seu negócio? Escreva para a coluna e compartilhe sua experiência. Seu relato pode inspirar soluções para outras empresas aqui em Guarapuava.Por que isso importa (muito) para o comércio e a geração de empregos emnossa cidade.