Alguns pais de alunos da rede municipal de ensino de Guarapuava têm usado as redes sociais para criticar a venda de lanches dentro das escolas. Segundo os relatos, a comercialização de salgados e doces cria uma divisão entre os estudantes que têm dinheiro para comprar e aqueles que não possuem condições financeiras, levantando questionamentos sobre inclusão social no ambiente escolar.
A prática é comum em algumas instituições, que justificam a venda como uma forma de arrecadação de recursos. No entanto, pais e responsáveis argumentam que a responsabilidade de fornecer materiais escolares e produtos de limpeza é do município, e não dos alunos. Além disso, apontam que a presença de cantinas vendendo itens ultraprocessados e não saudáveis vai contra os princípios do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que defende uma alimentação equilibrada para os estudantes.
Outro ponto levantado é que a falta de dinheiro para comprar na cantina pode levar crianças a se sentirem excluídas ou até a adotarem atitudes inadequadas, como pegar dinheiro de colegas sem permissão.
Por outro lado, alguns pais se manifestaram a favor da prática, argumentando que a venda de lanches sempre existiu e que os alunos aprendem a lidar com situações em que podem ou não comprar. “Gente, isso sempre existiu, inclusive na nossa geração. E sobrevivemos a tudo isso. Tenho três filhos na rede pública e eles sabem muito bem quando dá e quando não dá. O direito de um começa quando termina o do outro”, comentou uma mãe.
Outra responsável ressaltou que a inclusão social deve ser debatida de forma mais ampla, considerando diversas situações dentro das escolas. “No meu ver, a inclusão deve ir muito além do que somente o lanche na cantina. Dia das Mães, Dia dos Pais, Cabelo Maluco, roupa à fantasia, mochila diferente, festa junina, formatura de 5° série com viagens… muitas crianças não têm mãe ou pai, dinheiro ou condições para viverem essa situação e faltam nesses dias na escola”, apontou.
Já outra mãe foi mais enfática ao criticar o que considera exagero nas discussões sobre desigualdade dentro das escolas. “Aí, gente, cantina sempre existiu, agora tudo é desigualdade. Daqui uns dias não vai mais poder ter o Dia do Índio nas escolas porque vão se sentir excluídos, não vai poder ter apresentação de Dia das Mães porque muitos não têm mães. A vida era mais simples antigamente, agora é cheio de mimimi”, escreveu.
Diante dos questionamentos, a Secretaria Municipal de Educação de Guarapuava emitiu uma nota oficial esclarecendo que a prática está em conformidade com a Lei nº 14.423/2004, que estabelece padrões de qualidade nutricional e sanitária para os serviços de cantinas escolares. Segundo a nota, a comercialização de alimentos segue normas rigorosas, garantindo que produtos prejudiciais, como refrigerantes e salgadinhos industrializados, não sejam vendidos nas unidades educacionais.
Além disso, a Secretaria afirma que os recursos arrecadados são destinados a atividades essenciais da comunidade escolar, como a compra de presentes para o Dia das Crianças e para os professores, além de outras necessidades administrativas. A gestão municipal reforça que há total transparência na administração desses recursos e que o compromisso com a qualidade alimentar e o bem-estar dos alunos é prioridade.
A íntegra da legislação pode ser acessada Clicando aqui.
