Há mais de dez anos atuo na imprensa local. Nesse tempo, já vi de tudo: manchetes que marcaram época, denúncias que mudaram rumos e histórias que emocionaram a cidade. Mas confesso — nunca tinha visto tanta insatisfação com a informação em Guarapuava como vejo hoje.
Ontem, num raro intervalo de tempo livre, me peguei lendo mensagens em grupos de WhatsApp. Entre memes e correntes, havia um debate intenso — ou melhor, um massacre — contra colegas de profissão. Uma das mensagens me chamou atenção: dizia que uma colega “não tinha equipe, não tinha fontes e que as informações eram atrasadas”.
Fiquei pensando sobre isso. A velocidade da informação hoje é absurda. As pessoas ficam sabendo de algo, repassam pelo famoso “disse-me-disse” e, em minutos, já publicam em suas redes sociais. Mas o jornalismo sério não funciona assim. Apurar, confirmar, ouvir os lados envolvidos e entregar a notícia completa e verdadeira leva tempo. E isso, infelizmente, não combina com a pressa do “publique primeiro, corrija depois” que se espalhou na internet.
Difícil ler que “a imprensa guarapuavana não tem credibilidade”. Tem sim — e muita. Existem veículos na cidade com história, bagagem e coragem para denunciar, contar e mostrar Guarapuava para o mundo. Veículos que ajudaram a desenvolver o município e que, mesmo diante de crises econômicas, continuam de pé, empregando famílias e formando profissionais.
A incompetência de alguns não pode ser usada para apagar o esforço e a dedicação de muitos.
Guarapuava é terra de gente inteligente e guerreira. E aos, jornalistas — sejam de rádio, jornal impresso, portais de notícia ou TV; veteranos ou novatos — cabe continuar firmes: mais corajosos, mais atentos e sempre de cabeça erguida. A missão é mostrar o que nossa cidade tem de melhor, sem abrir mão da ética, da eficiência e do respeito.
Porque, no fim, a verdade ainda vale mais do que a pressa.
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