A partir desta terça-feira (1º), o pinhão, semente símbolo do Paraná, já pode ser colhido, armazenado e comercializado no estado. Seguindo as diretrizes do Instituto Água e Terra (IAT), a liberação é válida apenas para pinhões que completaram o período de maturação, garantindo a preservação da araucária e a segurança dos consumidores.
O descumprimento das normas pode resultar em multa de R$ 300 a cada 50 quilos apreendidos, além de penalidades por crime ambiental. A safra se estende até junho, período em que a fiscalização será intensificada pelo IAT e pelo Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde (BPAmb-FV).
Preservação da araucária e segurança alimentar
A Portaria IAP nº 046/2015 estabelece as normas para a comercialização do pinhão, equilibrando a geração de renda e a proteção da araucária, árvore ameaçada de extinção. Além disso, permite que animais, como a cutia, contribuam para a dispersão das sementes, auxiliando na regeneração da floresta.
Segundo a engenheira florestal Lauren Soares Silva, do IAT em Guarapuava, a população pode ajudar na preservação respeitando o período correto de colheita e denunciando irregularidades aos órgãos fiscalizadores.
“No estágio imaturo, as pinhas apresentam casca esbranquiçada e alto teor de umidade, o que favorece a presença de fungos. O consumo de pinhões verdes pode causar problemas digestivos e intoxicações”, alerta a especialista.
Além disso, é proibida a comercialização de pinhões vindos de outros estados. As denúncias podem ser feitas à Ouvidoria do IAT, nos escritórios regionais do órgão, pelos telefones (41) 3213-3466, (41) 3213-3873 ou 0800-643-0304, além da Polícia Ambiental pelo número (41) 3299-1350 ou 181.
Importância econômica
O pinhão tem grande relevância econômica para o Paraná. Em 2022, a comercialização movimentou R$ 20,8 milhões, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A produção estadual foi de 4,1 mil toneladas, sendo que mais da metade veio da região Centro-Sul.
Inácio Martins liderou a colheita em 2022, com 700 toneladas, seguido por Pinhão (556 toneladas) e Turvo (271 toneladas). Outras regiões produtoras incluem o Centro, Sul e Sudoeste do estado.
Como o pinhão é um produto extrativista, a previsão da safra de 2025 ainda é incerta. No entanto, a expectativa dos produtores é positiva, com a esperança de um ciclo produtivo favorável e preços atrativos no mercado.
