A Justiça de Guarapuava realizará nesta sexta-feira dia 23 a audiência que irá decidir se Gustavo Mendes Scheller, de 29 anos, e o pai dele, Nery Scheller, de 58, serão levados a júri popular pela morte de Diego Lenon Kuss da Silva, ocorrida em agosto de 2025. Os dois respondem a denúncia do Ministério Público por homicídio qualificado, mas a defesa afirma que há contradições relevantes na acusação.
A atualização do caso ocorre após a análise, pela defesa, de imagens de câmeras de segurança de uma conveniência, que fazem parte do inquérito policial. Segundo o advogado Dr. Jean Campos, os vídeos mostram apenas parte da confusão, mas são fundamentais para questionar a versão apresentada pelo Ministério Público.
De acordo com a defesa, o início da gravação registra o momento do atropelamento da vítima. Na sequência, pessoas que estavam em frente ao estabelecimento se aproximam do veículo, iniciam uma discussão e passam a agredir Gustavo e Nery. Após as agressões, Diego se levanta e uma nova discussão tem início.
“O vídeo mostra, aos cinco minutos, o Sr. Nery usando camiseta laranja, enquanto o Gustavo tenta entrar no carro, mas é impedido por terceiros. A vítima entra em luta com ele, mas depois dá a volta no veículo e entra voluntariamente no banco do passageiro”, explica o advogado.
Esse ponto, segundo a defesa, é central para o processo. O Ministério Público sustenta que houve dissimulação, com indução da vítima a entrar no carro. “As imagens mostram o contrário. Não houve indução. A vítima entrou por vontade própria”, afirma Campos.
Ainda conforme a defesa, Gustavo só percebe que quem está no carro não é o pai, mas sim a vítima, após olhar para o lado. A partir daí, os dois iniciam uma discussão, momento em que Nery retorna à cena. O advogado afirma que o carro segue para fora do campo de visão das câmeras porque a chave teria sido retirada por terceiros.
Logo depois, segundo a defesa, ocorre uma nova briga fora do alcance das imagens, mas com áudio registrado. “Há um momento em que alguém diz: ‘ele morreu, não era para matar’”, relata Campos, acrescentando que uma testemunha teria visto a vítima caída no chão.
O advogado destaca ainda que, após perceberem que Diego estava sem vida, pai e filho entraram em desespero. “Eles nunca passaram por algo assim. Foi uma situação extrema”, afirmou. A defesa também ressalta que todos os envolvidos estavam sob efeito de álcool, inclusive a vítima, o que torna o caso ainda mais complexo.
Gustavo e Nery se apresentaram espontaneamente às autoridades e negam a prática de homicídio doloso. A expectativa agora se concentra na audiência desta sexta , quando o Judiciário decidirá se o caso será levado a júri popular ou se haverá outra definição processual.
