Após quase sete horas de audiência, ainda não foi definida a ida ou não de pai e filho a júri popular no caso que investiga a morte de Diego Lenon Kuss da Silva, em Guarapuava. A sessão, considerada longa e desgastante, encerrou-se por volta das 20h do dia 23 de janeiro, com o término da fase de instrução do processo.
Segundo Dr. Thiago Rodrigues um dos advogados que integra a defesa réus, a audiência foi “extremamente cansativa e exaustiva”, mas resultou na produção de elementos relevantes de prova. “Hoje nós conseguimos colher elementos importantes e acreditamos que a população de Guarapuava dará uma resposta justa a este caso, sem mais nem menos, a cada um aquilo que lhe é de direito”, afirmou o defensor ao final dos trabalhos.
Com o encerramento da instrução, o processo entra agora na fase de alegações finais, etapa em que Ministério Público e defesas apresentam suas manifestações conclusivas. Somente após essa fase o Judiciário decidirá se os acusados serão pronunciados e encaminhados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Segundo a defesa, embora a audiência de instrução tenha sido realizada, o processo ainda não avançou para a fase de alegações finais, uma vez que falta a juntada do laudo pericial do veículo por parte do Instituto Médico-Legal (IML). O carro apreendido será submetido a exame técnico para verificar a existência de vestígios ou material biológico da vítima, prova considerada relevante pela defesa. O advogado informou ainda que houve pedido para o adiamento da audiência até a conclusão dessa perícia, sob o argumento de preservação do contraditório e da ampla defesa, porém o magistrado entendeu que a prova poderia ser produzida e debatida posteriormente, mantendo a realização da audiência.
O caso:
O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 7ª Promotoria de Justiça de Guarapuava, denunciou Gustavo Mendes Scheller, de 29 anos, e seu pai, Nery Scheller, de 58, pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. O crime teria ocorrido entre a noite de 23 e a tarde de 24 de agosto, no bairro Industrial, em Guarapuava.
De acordo com a denúncia, à qual a Rede Gazeta teve acesso, pai e filho teriam agido em conjunto e com intenção de matar, utilizando instrumento perfurocortante e golpes de forte impacto, provocando ferimentos graves na cabeça, garganta e pescoço da vítima. O laudo de necropsia apontou trauma cranioencefálico como causa da morte.
O MP sustenta que o crime foi praticado com extrema brutalidade e dissimulação, uma vez que os acusados teriam convencido a vítima a entrar em um veículo para, em seguida, assassiná-la. Após o homicídio, o corpo foi ocultado às margens da Estrada do Lajeado, na área rural do distrito da Palmeirinha, em local isolado e sem iluminação.
A Promotoria requer que os denunciados sejam julgados por homicídio qualificado por meio cruel e mediante dissimulação, além do crime de ocultação de cadáver. Em caso de condenação, o MP também pede a fixação de indenização mínima de R$ 20 mil à família da vítima, a título de reparação por danos morais.
Atualmente, Gustavo e Nery Scheller permanecem presos na Penitenciária Estadual de Guarapuava (PEG) e respondem ao processo conforme o rito do Tribunal do Júri, aguardando a decisão judicial que definirá os próximos passos do caso.

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