Vi alguns posts na comunidade sugerindo que Gérson poderia ter autismo, sugestões baseadas em fragmentos, embora existam muitos autistas que desenvolveram esquizofrenia.
O problema é que, ao se basearem em fragmentos nada concretos, deixamos de abordar os fatos concretos do caso: a esquizofrenia e a deficiência intelectual.
E deixamos também de evidenciar o abandono do Estado, a negligência dos profissionais de saúde que assistiram a esse rapaz.
A esquizofrenia é uma doença grave, crônica e extremamente debilitante. É a mais grave da psiquiatria e uma das mais debilitantes da medicina, capaz de devastar famílias inteiras.
É altamente genética, com estimativa de 60% a 80% de hereditariedade, o que depende da interação de múltiplos fatores ambientais e genéticos.
Os avós e a mãe de Gerson sofriam de esquizofrenia, e ele apresentava sintomas desde criança.
Pontos importantes sobre o caso, segundo relatos de assistente social e conselheira tutelar:
• Foi levado a médicos psiquiatras por oito anos e sofreu negligência devido ao estigma social: o estigma de que toda criança teria apenas problemas comportamentais.
• Após os 18 anos, foi para a rua e buscou ser preso várias vezes porque, na prisão, teria onde dormir e comer.
• O diagnóstico veio tarde: trinta dias antes do ocorrido, um juiz determinou a internação.
Este é um caso de abandono do Estado, negligência médica e pobreza extrema, um retrato do abandono da saúde mental no nosso país.
Ele precisava de uma residência assistida, de tratamento médico e psicológico, mas tudo isso lhe foi negado.
Uma doença psiquiátrica é triste, e mais triste ainda é viver sem um lar, sem amor, sem carinho, sem cuidado e sem ter com quem contar. Essa foi a realidade dele.
Lembrem-se: quando tudo é autismo, o autismo se torna um nada! A banalização do autismo acontece quando o justificamos em qualquer situação.
Neste caso, não há evidências para apontar autismo. Não estou negando que ele possa tê-lo, já que um outro transtorno pode camuflar o autismo, mas precisamos trabalhar com fatos concretos, e, aqui, os fatos concretos são a esquizofrenia e a deficiência intelectual.
FONTE/CRÉDITOS: Marionita Gonçalves
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): Reprodução/Instagram
O texto acima expressa a visão de quem o escreveu, não necessariamente a de nosso portal.
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